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Artista pl√°stico ministra aulas de croch√™ e tric√ī

Paulistano criou o projeto Homem na Agulha para divulgar seus trabalhos e reunir homens para a pr√°tica

 

Por: Mariana Oliveira para Veja

 

Thiago Rezende: artista pl√°stico d√° aulas de croch√™ e tric√ī (Foto: Ricardo D'Angelo)

Thiago Rezende: artista pl√°stico d√° aulas de croch√™ e tric√ī (Foto: Ricardo D’Angelo)

 

Senhoras com √≥culos na altura do nariz e mo√ßas ‚Äúde fino trato‚ÄĚ n√£o s√£o, h√° algum tempo, as √ļnicas rainhas do reino do croch√™ e do tric√ī na capital. Nos √ļltimos anos, a populariza√ß√£o por aqui de redes sociais que valorizam belas fotos, como Pinterest, atraiu v√°rios homens para o neg√≥cio. Do lado masculino, surgiu at√© uma esp√©cie de guru da turma, o paulistano Thiago Rezende, de 34 anos. Artista pl√°stico, ele √© criador do Homem na Agulha, projeto de difus√£o dessas t√©cnicas que inclui p√°ginas na internet, venda de produtos e cursos ‚ÄĒ que t√™m, ali√°s, outros barbados como adeptos.

 

Uma das especialidades de Rezende s√£o os amigurumis, bonequinhos de hipop√≥tamos, ursos e outros animais, feitos por meio de uma t√©cnica japonesa. Uma fofura s√≥. Ele produz tamb√©m de pe√ßas como ponchos e casacos a itens mais conceituais, como m√°scaras multicoloridas. Suas p√°ginas no Facebook e no Instagram (procure por ‚Äúhomemnaagulha‚ÄĚ) t√™m 12 000 seguidores. Ali, os artigos s√£o vendidos sob encomenda, a pre√ßos a partir de 100 reais. Algumas obras prontas est√£o dispon√≠veis no Novelaria Knit Caf√©, na Vila Madalena.

 

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Amigurumi: aulas ministradas por Thiago Rezende (Foto: Reprodução/Instagram)

 

√Ārea importante de atua√ß√£o do profissional √© o ensino do of√≠cio. Rezende d√° aulas particulares (120 reais, tr√™s horas) e em grupo. No ano passado, formaram-se cerca de quarenta aprendizes. Nos √ļltimos meses, ele rodou ainda com palestras pelo interior de S√£o Paulo e pelo Chile. Em mar√ßo, uma oficina voltada para o tric√ī com agulhas circulares teve as 25 vagas esgotadas no primeiro dia de inscri√ß√£o.

 

Embora tenha lembran√ßas das f√©rias no bairro do Butant√£, na Zona Oeste, quando via sua av√≥ tricotar, Rezende come√ßou a desenrolar os pr√≥prios novelos h√° quatro anos, depois de assistir a v√≠deos sobre o assunto no YouTube. Comprou l√£ e aventurou-se sozinho na pr√°tica. ‚ÄúAchei que enjoaria em dois meses, mas isso acabou tomando conta do meu dia‚ÄĚ, afirma. Formado pela Faculdade Paulista de Artes, ele investe em fios grossos, que ressaltam o estilo artesanal de suas cria√ß√Ķes, conhecidas pela delicadeza.

 

A maior parte do p√ļblico de suas aulas √© feminina, mas h√° sempre homens com idade e perfil diferentes, desde senhores at√© estudantes. Com base nesse potencial de mercado, o professor bolou um encontro direcionado s√≥ aos rapazes. Houve duas edi√ß√Ķes em 2015, e a terceira vai acontecer na primeira quinzena de abril. Na cidade, quem se interessar tem outras op√ß√Ķes de aula, em locais como o Sesc Pompeia e a escola Novelaria, na Vila Madalena. N√£o h√° restri√ß√£o de sexo. ‚ÄúMas muitos caras ainda t√™m vergonha de praticar‚ÄĚ, diz Rezende. N√£o √© o caso de Paulo Sam√ļ, de 22 anos. Formado em moda, ele confecciona personagens de filmes e s√©ries na loja on-line Ponto Pipoca, o que lhe rende cerca de 1 200 reais por m√™s. Fazer croch√™ e tricotar na rua, diz Sam√ļ, nunca foi um problema. ‚ÄúMuita gente fica olhando, mas levo no bom humor.‚ÄĚ

 

Artesanato: Sempre um bom conselheiro, por Gica

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Fonte: Artigo por Gica

Resolvi escrever esse artigo pois, assim como você também deve ficar, tem dias que eu realmente não tenho vontade de fazer as coisas. Pode ser qualquer motivo: preguiça, estar triste, deprê, com a vibe baixa como preferir rs. E realmente nesses dias dá vontade de deixar tudo de lado.

Mas como são as coisas não é mesmo…depois que comecei a divulgar mais meu trabalho de artesanato e vídeo aulas, muitas pessoas tem me procurado e mandando e-mails e comentários no face ou aqui no site, dizendo o quão importante minhas aulas tem sido para elas.

Isso realmente tem me motivado muito, pois nesses dias de vibe baixa, em que muitas vezes penso at√© em desistir, uma voz interna mais forte e perseverante me fala: ‚ÄúQue desistir nada! Voc√™ j√° percorreu tanto e agora est√° ajudando muito mais pessoas, temos que continuar‚ÄĚ.

E após essa luta interna entre o diabinho e anjinho rs, consigo me mexer.

O ponto crucial √© esse: Voc√™ se motivar para SE MEXER! √Č dai que vem a nossa for√ßa interior para continuar‚Ķporque esse se mexer √© o mais dif√≠cil rs, pois queremos ficar ali na zona de conforto, na pregui√ßa, sem fazer nada de √ļtil para n√≥s e para o mundo‚Ķpor que? Porque √© mais f√°cil!! Na zona de conforto √© confort√°vel rs at√© certo ponto, pois na zona de conforto N√ÉO H√Ā CRESCIMENTO.

Mas que vida mais chata essa eu acho viver na zona de conforto sem emoção rsrsrsrs…

Por isso que o se mexer, a vontade de fazer é tão importante.

Porque daí vamos lá para nosso cantinho e começamos a CRIAR! Colocar nossa energia em movimento! Ai as coisas começam a acontecer…

Dai, cad√™ aquela vibe baixa e depr√™?? Foram embora pois focamos nossa aten√ß√£o em algo produtivo, o desenvolver uma pe√ßa por exemplo. Criar combina√ß√Ķes e mexer com cores!

Por isso o artesanato √© t√£o recomendado como terapia! Porque FUNCIONA! Eu esque√ßo dos meus problemas quando estou ‚Äúarteirando‚ÄĚ rs, pois fico t√£o concentrada no que fa√ßo, que nem vejo a hora passar. E √© assim que deve ser o artesanato para n√≥s: uma v√°lvula de escape para nos ajudar na nossa transforma√ß√£o.

Como j√° disse em um v√≠deo uma vez, as pessoas est√£o t√£o absortas em suas rotinas que n√£o percebem que precisam de uma v√°lvula de escape para suas emo√ß√Ķes. E no artesanato, n√≥s transformamos essas emo√ß√Ķes negativas em algo lindo .

Quem que n√£o fica feliz ao terminar uma pe√ßa que fica linda? √Č assim que me sinto quando nesse processo de me mexer para sair da baixa vibe. Ao terminar uma pe√ßa eu fico realmente feliz: a transforma√ß√£o do sentimento ocorreu!! N√£o √© lindo isso? E se voc√™ achar que sua pe√ßa n√£o ficou t√£o legal assim , melhor ainda, porque agora voc√™ tem chances de estudar e se aprimorar conhecendo pessoa novas, cursos novos! Tente novamente, n√£o tenha medo de errar.

Ent√£o retomemos ao t√≠tulo do artigo: Artesanato: Sempre um bom conselheiro. Sim, ele sempre √© para mim bom conselheiro, pois ao mergulhar em uma pe√ßa e no meu ateli√™ eu consigo n√£o seguir os pensamentos negativos e vou gerar outra energia em mim. Ou√ßa sempre o artesanato: T√° triste, vai ‚Äúarteirar‚ÄĚ rsrsrs.

E você, tem se mexido e transformado sua vida? Só depende de você.

Com amor,

Gica

Cinco dicas para exercitar o pensamento crítico

“A √™nfase n√£o est√° no que voc√™ pensa, mas em como voc√™ pensa”, diz especialista

 

Uma discussão doméstica sobre lavar ou não a embalagem reciclável antes de depositá-la na lixeira do condomínio pode ser convertida em exercício prático de pensamento crítico ou, em outras palavras, a capacidade de baixar a guarda das próprias certezas, escutar o outro e analisar uma mesma questão sob pontos de vista diferentes.

 

O marido acredita que √© melhor n√£o lavar as embalagens, por causa do desperd√≠cio de √°gua. Sua mulher, por outro lado, defende que lavar facilitaria a vida do pessoal da limpeza, que ao recolher as embalagens nos apartamentos e acomod√°-las na coleta seletiva n√£o precisaria lidar com o aroma desagrad√°vel de latas de atum e garrafas de leite esvaziadas, mas ainda sujas. A solu√ß√£o do conflito passa por muitas vari√°veis. A situa√ß√£o, por√©m, sugere que o dia a dia √© uma verdadeira academia para que o pensamento cr√≠tico das pessoas ganhe m√ļsculos e, no trabalho, seja um importante aliado em termos de clima, relacionamento e produtividade.

 

Pensar criticamente √© uma qualidade importante e de forma resumida significa que antes de tomar uma decis√£o o indiv√≠duo pense bastante e questione certezas (pr√≥prias e dos outros), desconfie do que parece √≥bvio, se abra para novas perspectivas e consiga apresentar suas ideias e argumentos, verbalmente ou por escrito, de maneira l√≥gica e clara. Aulas de pensamento cr√≠tico e argumenta√ß√£o racional, l√≥gica e persuasiva podem ser encontradas em cursos online com o da plataforma Iversity, que come√ßou no dia 18 de maio, mas¬†continua acess√≠vel, e at√© no curr√≠culo acad√™mico. √Č o caso do mestrado em neg√≥cios da Universidade de Rotterdam, na Holanda, que absorveu o pensamento cr√≠tico como disciplina ministrada em sala de aula.

 

Doutora em Filosofia pela Universidade de Rotterdam, Giedre Vasiliauskaite é professora do Master in Consultancy and Entrepreneurship de Rotterdam nos deixa algumas dicas:

 

O que é o pensamento crítico em termos de habilidade profissional?

 

Atualmente somos bombardeados com uma quantidade incr√≠vel de informa√ß√Ķes e precisamos de orienta√ß√Ķes b√°sicas a fim de distinguir o que √© confi√°vel. Isso se faz necess√°rio, por exemplo, no trabalho de um gerente que tenta resolver opini√Ķes divergentes e tomar uma decis√£o objetiva e justa; na an√°lise de dados em relat√≥rios organizacionais; ao aceitar ou questionar um ponto de vista ou sugest√£o e, em nosso trabalho di√°rio, at√© ao escrever e-mails e relat√≥rios e apresentar nossas ideias de uma maneira l√≥gica e compreens√≠vel. Aulas de pensamento cr√≠tico fornecem algumas ferramentas que ajudam as pessoas a comunicar melhor suas ideias.

 

Muitas iniciativas erradas surgem da nuvem de preconceitos que podem envolver uma tomada de decisão, a exemplo de quando estou tão convencida de que minha iniciativa vai trazer uma série de benefícios que simplesmente negligencio outras ideias diferentes da minha ou não tão favoráveis a ela. Uma boa prática de tomada de decisão requer um olhar mais profundo na questão, a partir de várias perspectivas.

 

Como o pensamento crítico é abordado na sala de aula, no currículo de um curso?

 

As aulas e os treinamentos de pensamento cr√≠tico s√£o orientados de forma pr√°tica. Os alunos adquirem conhecimentos te√≥ricos por meio da leitura de textos e ent√£o n√≥s discutimos a teoria e entendemos como ela se manifesta em situa√ß√Ķes da vida real. Os alunos tamb√©m fazem exerc√≠cios, trabalhos em grupo e analisam textos e v√≠deos. Al√©m disso, acredito que na sala de aula as hist√≥rias que eu conto n√£o s√£o suficientes para o aprendizado. √Č por isso que eu convido os alunos a compartilhar as pr√≥prias hist√≥rias.

 

Como um profissional, em qualquer carreira, desperta e desenvolve o próprio pensamento crítico? 

 

Antes de tudo √© preciso ser curioso e ter a mente aberta para diferentes pontos de vista. N√£o avance e n√£o se precipite na dire√ß√£o de solu√ß√Ķes r√°pidas antes de analisar o problema. Seja observador, ou√ßa e escute cuidadosamente. Pergunte ‚Äúpor que?‚ÄĚ. Questione seu pr√≥prio ponto de vista e o de outras pessoas. Tente enxergar se os pressupostos b√°sicos que parecem t√£o √≥bvios para voc√™ s√£o realmente corretos. Seja um pouquinho desconfiado, mas n√£o exagere.

 

√Č poss√≠vel obter material para exercitar pensamento cr√≠tico em situa√ß√Ķes do dia a dia, como ao trocar impress√Ķes sobre um filme?

 

O cotidiano no trabalho e na vida fornece um rico material para o desenvolvimento do pensamento crítico e esse exercício pode estar realmente em uma conversa sobre cinema, um livro, algo que você viu na internet ou na televisão. Mesmo o mais simples e singelo diálogo ou conflito doméstico, entre marido e mulher, serve de material para refletir criticamente. Em outras palavras: a ênfase não está no que você pensa, mas em como pensa. O truque é manter a mente aberta, ser curioso. Você pode aprender muito ao desafiar a si mesmo.

 

Um bom come√ßo para se informar a respeito e praticar pensamento cr√≠tico √© ler sobre o assunto, sua teoria b√°sica, e ent√£o trazer esse conhecimento para o dia a dia. Livros de fic√ß√£o, romances e outros produtos de literatura, fornecem um bom conte√ļdo para refletir. Ainda melhor √© encontrar um bom curso e juntar-se a um grupo de estudo.

 

Na sua opinião, qual é o melhor exercício de pensamento crítico?

 

Se comprometer em ser um pensador cr√≠tico e n√£o voltar atr√°s nessa decis√£o. √Č preciso ser consistente e firme, porque muitas vezes ser√° tentador fechar os olhos para os pr√≥prios preconceitos.

 

Fonte: A professora Giedre Vasiliauskaiteé, doutora em Filosofia pela Universidade de Rotterdam Рespecial para jornal o Estado de São Paulo.