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Novembro Azul: Mês de prevenção ao câncer de próstata

Fonte: HSP - Hospital de São Paulo

 

O movimento internacional conhecido como Novembro Azul, é comemorado em todo o mundo, quando teve início o Movember, movimento cujo nome surgiu da junção das palavras moustache (bigode, em inglês) e november (novembro em inglês), na Austrália.

 

A iniciativa se alastrou, sendo adotada por vários países, inclusive o Brasil, como forma de chamar a atenção dos homens para a importância da prevenção do câncer de próstata. Hoje, o movimento já atinge mais de 1,1 milhões de pessoas em campanhas formais em países como Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Finlândia, Holanda, Espanha, África do Sul e Irlanda. Seu objetivo principal é mudar os hábitos e atitudes do público masculino em relação a sua saúde e seu corpo, incentivando assim, o diagnóstico precoce de doenças como o câncer de próstata.

 

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Como, quando e por que prevenir?

 

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de próstata é o segundo mais comum entre homens, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Hoje, ele é o sexto mais comum no mundo e o mais prevalente em homens, o que representa cerca de 10% do total de cânceres. Apenas esse ano, o INCA estima-se que 60.180 novos casos sejam diagnosticados.

 

A doença ocorre quando as células da próstata, glândula localizada próxima à bexiga, começam a se multiplicar dessa forma desordenada. Na fase inicial, o paciente não apresenta sintomas, o que torna imprescindível que os homens façam os exames específicos indicados pelo médico, a partir dos 45 anos. Já entre outros. Homens que possuem histórico familiar da doença devem avisar seu médico.

 

O diagnóstico precoce é hoje a arma mais importante. Quando descoberto nos estágios iniciais, as chances de cura do câncer de próstata são muito mais altas. No Brasil, a doença é responsável por 6% do total de óbitos de homens e, 2010, fez 12.778 vítimas.

 

 

A importância dos exames

 

Fazer os exames solicitados pelo médico no check up de rotina é uma das formas de prevenção da doença. A Sociedade Americana de Urologia recomenda que o exame de sangue para a dosagem do antígeno prostático específico (PSA) seja realizado anualmente por homens a partir dos 45 anos. Além dele, também é importante o exame da próstata.

 

 

Dúvidas Comuns:

 

- Quais os sintomas que podem indicar possíveis alterações na próstata?

 

O câncer de próstata não costuma causar sintomas na fase inicial. Portanto, torna-se importante a consulta rotineira ao urologista, com o objetivo de fazer o diagnóstico precoce da doença, por meio do PSA e do toque retal.

 

 

- Pacientes com histórico familiar de câncer de próstata tem maior risco?

 

Quando existem na família parentes em primeiro grau com câncer de próstata, a chance de apresentar a doença é de duas a cinco vezes, dependendo da idade em que foi diagnosticado no parente e no número de membros que apresentaram o câncer.

 

 

- O exame de sangue pode substituir o exame da próstata?

O PSA é sim a melhor ferramenta para o diagnóstico do câncer de próstata, mas o exame de toque não o substitui. A maioria dos casos de câncer de próstata é diagnosticada por meio do PSA. Em muitos casos, porém, o resultado do exame não mostra muita elevação e percepção de um nódulo pode orientar a realização de uma biópsia da próstata.

Arte e artesanato são alternativas de tratamento no serviço de saúde mental

Fonte: Oficina de Imagens

Por Bárbara Pansardi

 

[Este texto é um complemento à reportagem “Saúde Mental na Infância”, publicada na segunda edição da revista Rolimã (p.40). A matéria aborda a especificidade do atendimento de saúde mental a crianças e adolescentes e discute a política dos Centros de Atenção Psicossocial Infantis (CAPSi). Veja a revista na íntegra aqui]

 

Déficit de atenção e transtorno de aprendizagem são os diagnósticos mais frequentes na área de saúde mental de crianças e adolescentes – segundo pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em 2008, 8,7% das crianças ou adolescentes entre 6 e 17 anos têm sinais de hiperatividade ou desatenção; 7,8% possuem dificuldades com leitura, escrita e contas; 6,7% têm sintomas de irritabilidade e comportamentos desafiadores; e 6,4% apresentam dificuldade de compreensão ou atraso com relação a outras crianças da mesma idade.

 

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Na capital mineira, para fazer frente ao grande volume de casos deste tipo, foi pensado um tratamento alternativo. Por meio da No serviço de saúde mental de BH, tratamentos alternativos trabalham de forma lúdica questões relacionadas ao desenvolvimento psicossocial de crianças e adolescentes de arte e artesanato, o programa Arte da Saúde – Ateliê de Cidadania oferece subsídios lúdicos para lidar com os problemas que interferem no desenvolvimento psicossocial e educacional da criança, sem passar pela medicalização.

 

Entre tintas, missangas, argila, pincéis, fuxicos, instrumentos musicais e tecidos, meninos e meninas resgatam seu amor próprio, auto-confiança e auto-estima, e o resultado se reflete diretamente no desempenho escolar e no convívio familiar e social.

 

Histórico

 

Rosalina Martins Teixeira, psicóloga e idealizadora do Arte da Saúde, incomodava-se com a banalização dos correntes diagnósticos de transtorno de conduta e aprendizagem. Enxergava a resposta habitual ao problema – o encaminhamento às escolas especiais ou aos tratamentos neurológicos – como um processo de patologização e adoecimento de crianças que não se adaptavam bem à abordagem de ensino tradicional, e se recusava a fornecer laudos psicológicos de encaminhamento para tais instituições.

 

Lamentando que a rede de saúde mental não ofertasse um serviço para lidar corretamente com essa demanda, decidiu por conta própria testar uma alternativa. Entendendo que por trás destes quadros havia uma questão intersetorial com a educação, que não deveria ser psiquiatrizada, desvestiu-se do papel de psicóloga e, em 1991, como artista plástica, ofertou por seis meses uma oficina de xilogravura no Centro de Saúde Vera Cruz, onde trabalhava.

 

A ideia apresentou bons resultados e as crianças demonstraram melhora no desempenho escolar, o que motivou Rosalina a buscar convênios e modos de financiar a iniciativa. Desde 2008, o projeto é uma política pública da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte e a atuação, que a princípio tinha como público-alvo crianças e adolescentes com quadros de déficits cognitivos, hiperatividade e distúrbios de comportamento, atualmente contempla também jovens em situação de vulnerabilidade social – como vítimas de abuso sexual, violência doméstica, trabalho infantil ou usuários de drogas –, além de portadores de sofrimento mental.

 

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Cuidado edificante

 

Para a idealizadora do Arte da Saúde, o que explica a melhora e desenvolvimento de meninos e meninas que passam pelo programa é a atenção especial, o cuidado e a aposta no potencial da criança – em oposição a uma postura negativa que só enxerga o fracasso. “A gente tem que dar a eles o direito de viver a infância e não ser tachado de burro, incompetente, fracassado e drogado. E, quando você oferece isso a qualquer um deles, faz um ato de união. Ali na oficina ele não é o drogado, o portador de sofrimento mental, o que tem problema de aprendizado; é a criança, e o sintoma dela a gente quer esquecer”, defende.

 

Não tratar pelo sintoma é, segundo Rosalina, o diferencial do programa e o segredo de seu sucesso. Por isso mesmo, os monitores selecionados para a oferta de oficinas não apresentam formação profissionalizante relacionada à área da psique humana; são artesãos ou artistas da comunidade. “A gente queria pessoas que não tivessem esse ‘psi’ para não terem um olhar acostumado, preconceituoso e estigmatizante”, explica.

 

O acompanhamento e discussão dos casos atendidos acontecem semanalmente em reuniões entre os monitores e os profissionais da saúde mental. Ali, a troca de informações entre saberes distintos é valiosa, porque há nas oficinas muitos relatos que não chegam aos consultórios médicos. “Os artesãos e artistas contam os progressos dos meninos na linguagem deles. Se é um sintoma, eles nem sabem. Relatam casos de meninos que chegaram muito agitados e, ao longo do processo, se acalmaram. Ou trazem questões de abuso que foram confidenciadas”, afirma a psicóloga.

 

Outro diferencial é a proximidade com o ambiente familiar, escolar e com o bairro dos garotos e garotas, importante para a criação e fortalecimento do vínculo. Por serem da comunidade, os monitores entendem a realidade social de onde vêm as crianças e adolescentes que demandam o serviço. Além disso, o fato de a oficina ocorrer nas adjacências do território por onde circula a criança facilita a visita à sua casa, que acontece quando ela se ausenta sucessivamente sem justificativa. “Eu penso que [o projeto] dá certo justamente pelo acolhimento que o monitor tem. Esse monitor é uma referência pra essa criança e esse adolescente; é da comunidade. Esse acolhimento diferencia muito”, avalia Maria Aparecida Pedroso, atual coordenadora do Arte da Saúde.

 

O programa se propõe como um espaço de acolhimento e socialização. Por isso, além das oficinas são promovidas visitas a parques, museus, centros culturais ou cinemas, além de pequenas viagens para outros municípios. A circulação na (e entre) a(s) cidade(s) é importante para o crescimento da criança e para a compreensão de sua cidadania e seu pertencimento a uma coletividade.

 

No espaço onde a atenção e o cuidado são oferecidos, a criança e o adolescente retomam sua condição de sujeito e se tornam mais aptos a exercerem sua expressão. Adquirem segurança e auto-estima e, segundo relatam os monitores, tornam-se mais proativos, oferecendo auxílio e orientação aos demais colegas.

 

Muitas famílias também contam que crianças antes agitadas, nervosas e agressivas se tornam muito mais sociáveis quando chegam ao projeto. A atividade artística e artesanal lhes ajuda na concentração e tranquilidade, o que repercute tanto nas relações com a família quanto no desenvolvimento escolar.

 

Modelo de referência

 

A proposta inovadora de tratamento, em sintonia com a luta antimanicomial, e os resultados exitosos trouxeram reconhecimento ao programa. Em 1999, o Arte da Saúde foi selecionado entre os dez melhores projetos pelo prêmio Itaú/Unicef – Educação e Participação. Em 2007, o Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais atribuiu ao programa o primeiro lugar na premiação Experiências Exitosas em Psicologia e Políticas Públicas, na categoria trabalho individual. Já em 2009, a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte foi agraciada pelo Ministério da Cultura com o Prêmio Loucos pela Diversidade – Edição Austregésilo Carrano devido à implantação do ateliê como política pública do município.

 

Além de fornecer subsídios para questões frequentes no serviço de saúde mental infantojuvenil, o tratamento terapêutico por meio da arte e do artesanato demanda baixos custos. Por essa razão, o projeto se torna um exemplo a ser reproduzido por outras prefeituras e secretarias de saúde. “A associação entre uma experiência bem-sucedida, com formato simples e custos módicos, torna o Arte da Saúde uma prática aplicável em várias localidades, permitindo às crianças e adolescentes, à administração pública e às comunidades resultados significativos”, argumenta Rosalina Teixeira.

 

A importância do incentivo à leitura para crianças

Fonte: Eeisolazul

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Televisão, DVD, computador, internet e jogos eletrônicos. Esses têm sido os passatempos preferidos da garotada nos dias de hoje. Não é à toa que hoje temos jovens que escrevem mal, encontram dificuldades em redação e interpretação de texto e possuem pouco senso crítico diante das informações que recebem. A raiz do problema pode ter várias ramificações, mas uma delas, a mais importante, é a falta do hábito da leitura. Nas páginas de um livro, a criança descobre muito mais do que um mundo de imaginação. Se cultivada desde a mais tenra idade, a leitura pode ser uma excelente maneira de trabalhar vocabulário, imaginação, criatividade, escrita e sensibilidade. Ou seja: mais do que um prazer, ela também é fonte de aprendizado e conhecimento.

Descoberta

É nos primeiros anos de vida que se deve incentivar a paixão pelos livros. Crianças pequenas adoram ouvir histórias, ainda mais se elas forem contadas de forma animada e divertida. Até o segundo ano de vida, os livros devem ser ricamente ilustrados, de preferência com gravuras que façam parte do universo infantil. Num livro infantil, a ilustração é muito importante. Ela é o primeiro convite para o livro. Por meio dela, as crianças começam a aprender algumas palavras, a associar as figuras a determinados objetos.

Nesta fase da vida, os pais devem se encarregar de contar as histórias e também de apresentar os livros às crianças, ajudando-as a manuseá-los e mostrando a elas as ilustrações. Na hora de contar a história, vale usar entonações diferentes de voz, fazer com que a criança participe da história e, se necessário, usar bonecos para prender a atenção. Quando os pais lêem para os filhos, estabelecem um vínculo afetivo importante, que vai ajudar no desenvolvimento emocional da criança.

Dos dois anos até a idade de alfabetização, a criança ainda não tem muita concentração. Por isso, os livros indicados para essa faixa etária possuem histórias curtas. O gênero predileto é o conto de fadas, que trabalha bastante a imaginação infantil, de modo que as crianças se envolvem diretamente com a história. Tanto que não é incomum que elas peçam aos pais que leiam várias vezes a mesma historinha, de tanto que se identificam com as personagens. Outra característica interessante dos livros voltados a essa faixa etária aparece naqueles dirigidos a crianças que estão passando pela alfabetização: o texto tem frases breves e fonemas fáceis para o entendimento das crianças, o que as incentiva a começar a ler sozinhas.

A partir dos sete anos de idade, inicia-se uma nova fase. As primeiras dificuldades de leitura ficam para trás, o pensamento lógico se desenvolve de forma a permitir que a criança comece a lidar com ideias abstratas e os livros começam a ficar mais complexos. Ao invés de histórias curtas, as crianças dão preferência a enredos maiores, divididos em capítulos. “Quando estão na 1ª e 2ª séries, elas apreciam contos folclóricos e fábulas curtas. Os contos bíblicos entram lá pela 3ª série. Na 4ª série, apreciam as sátiras aos contos de fadas. Na 5ª e 6ª séries, apreciam personagens que fizeram algo pela humanidade, ou seja, heróis e heroínas. A partir da 7ª série, estão prontos para a história do mundo.

A interpretação das ilustrações também ganha novos contornos. As figuras proporcionam à criança múltiplos olhares sobre um mesmo tema. Livros que são ilustrados por vários artistas, por exemplo, proporcionam isso. Quanto mais você alimentar o imaginário da criança, mesmo que seja através da figura, melhor. Na adolescência, o gosto literário se torna mais variado. Porém, independentemente do tema, o jovem lê tramas mais bem-elaboradas e coerentes, começando a moldar suas preferências para a idade adulta.

O poder dos contos de fada

É no contato com histórias repletas de personagens de fantasia que as crianças desenvolvem seus primeiros conceitos sobre o mundo. Diante de conceitos como bom e mau, feio e bonito, defeitos e virtudes, a criança começa a trabalhar suas próprias crenças e a demonstrar seus sentimentos diante de determinadas situações: medo, raiva, frustração, revolta, alegria. Isso acontece porque, de alguma forma, ela tende a se identificar com algumas histórias, de acordo com o momento que está vivendo. Histórias falam de amor, rejeição, medo de abandono, competição, diferenças. A criança se transporta para o mundo do personagem e encontra ali alguns de seus problemas e desejos. É por isso que elas apreciam muito esse tipo de história, porque vêem nelas uma maneira de interpretar o mundo.

Desenvolvimento

São inúmeros os benefícios do incentivo à leitura desde cedo. Com os livros, a criança desenvolve o vocabulário, aumenta o repertório de palavras, aprende a escrever melhor, trabalha a criatividade, a imaginação e a reflexão. A leitura é importantíssima para o desenvolvimento cognitivo da criança. Quando ela adquire o hábito de ler, seu inconsciente é liberado para o fato mais relevante da leitura, que é a interpretação. Existem alunos que têm dificuldades em várias disciplinas porque não conseguem interpretarem o que lêem.

O papel dos pais

Como em todas as outras áreas da vida, o exemplo dos pais também conta muito quando o assunto é literatura. Crianças cujos pais lêem bastante e se mostram apaixonados pela atividade têm muito mais chance de se interessarem por ela. Os pais devem dar o exemplo. Se gostam de ler, se estão sempre com um livro na mão, a criança também vai querer fazer isso. Levar a livrarias, rodas de leitura, eventos literários e centros culturais também ajudam muito, pois despertam a curiosidade e incentivam a intimidade da criança com os livros. Pais que não lêem e não incentivam a leitura, por tanto, não podem reclamar da falta de interesse dos filhos.

O papel da escola

Assim como os pais, a escola também tem papel fundamental no incentivo à leitura. A realidade brasileira nos mostra que o acesso de grande parte da população aos livros é muito restrito. Há muitas crianças cujas famílias mal têm dinheiro para se sustentar, então é claro que não terão recursos para adquirir livros. Então, cabe à escola surprir esse falta, oferecendo bibliotecas e salas de leitura.

Texto: Maria de Fatima Araújo
Professora e Coordenadora da Manha- Escola Sol Azul